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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Comentários sobre o artigo: "Entrevista com Heron" (HMAP)

Fórum da Semana 5 - Todos os Grupos
Discussão da semana 5 - GRUPO 2 - Comentários sobre a "Entrevista com Heron"
por [Aluno] Carlos Alberto Soares Leite - quarta, 12 novembro 2008, 19:46
Boa noite, colegas!
A proposta da "Entrevista com Heron" é motivar seus leitores (professores) a buscarem outros elmentos da História que possibilitem relacionar pensamentos matemáticos do passado e do presente, propiciando discussões de temas filosóficos, históricos, matemáticos e metodológicos.
A idéia dessa entrevista imaginária foi válida, pois foram inseridos elementos históricos com fatos atuais, por exemplo, falou-se das propriedades dos "Triângulos de Heron" e na possibilidade do uso de planilhas eletrônicas para as construções dos triângulos e determinação das medidas do lado e área.
A "Entrevista" mostrou que a principal diferença entre as épocas é a matematização do movimento. Com o advento do computador os matemáticos se tornaram mais pragmáticos, a visão dos fatos geométricos é mais prática e qualitativa.
O "entrevistador A" faz ver a Heron que os estudantes, ao utilizarem os recursos da informática, poderão entender melhor os conceitos à medida que puderem construí-los, e terão condições de compreender, discutir e formular hipóteses sobre as propriedades de certos elementos.
Heron, por sua vez, "sugere" que se levem os processos investigatórios para nossas escolas, mas que para isso ocarra, deve-se reaprendê-los, a mente tem que estar aberta.
Alguns conceitos elaborados por Heron, como o algoritmo, são utilizados nos computadores até hoje.
Destaque para a seguinte consideração:
_ As dificuldades para o uso dos computadores ainda são muitas, pois os recursos para aquisição de equipamentos e programas são escassos; falta apoio das direções de ensino e necessidade de capacitação dos docentes. Em outros casos, onde há um ambiente favorável, alguns professores não empregam todos os meios disponíveis (por exemplo, aplicam tediosos exercícios de digitação de números em aulas de laboratórios de informática).
Sds,
Carlos.

Ensinar e Aprender (INFOE 1)

Pólo de Campo Grande - Parte 1 - ENSINAR E APRENDER
por [Aluno] Carlos Alberto Soares Leite - quarta, 12 novembro 2008, 11:22
Bom dia, colegas!
Seguindo a orientação do texto de estudo, interrompi a leitura e procurei definições sobre ensinar e aprender. Achei uma leitura a respeito (de Portugal), bem interessante, vou resumí-la:

Ensinar e aprender, uma relação de gratidão

A relação ensinar-aprender subentende competência e curiosidade, para além de afetividade e gratidão recíprocas. O verbo «ensinar» tem o significado etimológico – «pôr uma marca, assinalar, distinguir». O verbo «aprender» – «prender, agarrar a si próprio».
Em suma, hoje em dia os professores não devem ensinar, mas facilitar aprendizagens e garantir competências, de acordo com a nomenclatura das novas teorias pedagógicas de educação. Aos alunos competirá «estimular» os professores a desenvolver um discurso que respeite os seus interesses, em ambiente de eterna (e falsa) alegria. Aliás, de acordo com o texto elaborado pela Associação de Professores de Português, sobre «O Ensino e a Aprendizagem do Português na Transição do Milénio», o «novo professor» deverá corresponder ao perfil do «eternamente jovem», tornando-se preferencialmente um «apaixonado pelo ensino» e não um «apaixonado pela matéria». Nesse sentido, e passo a transcrever, «o professor tem preocupações pedagógicas que aplica em qualquer circunstância e então diversifica as estratégias, actividades, materiais – é criativo».
É visível que a Escola está a perder-se enquanto espaço de aquisição de conhecimento e de cultura, de formação pessoal, humana e artística, continuamente agredida por uma postura de arrogância, que de modo algum se coaduna com o Saber e o prazer de o partilhar. No seu livro «A Escola, a Recta e o Círculo», Olga Pombo, professora em Filosofia da Educação, na Faculdade de Ciências de Lisboa, explica a relação metafórica entre as duas figuras geométricas, que fundamentam a harmonia entre passado-presente-futuro. Escreve Olga Pombo: «A Escola (…) lugar de constituição do Homem como sucessor, aquele que herda do passado, o que sucede a, o que vai atrás, à raiz, ao início, à fonte, e que, por isso – justamente por isso – está em condições de continuar, de construir o futuro». Contrariando precisamente esta filosofia, os autores clássicos foram cognominados de «chatos», «antiquados» e «pouco sedutores para os alunos», anulando-se todas as estratégias que pudessem aprofundar o seu conhecimento.
Considero, de modo cada vez mais convicto, que a Escola tem procurado insanemente esvaziar-se do papel privilegiado que sempre ocupou, anulando-se enquanto «lugar de transmissão do legado cultural entre gerações pela qual o homem conquista a eternidade, não dos indivíduos, mas da cultura», citando as revisitadas palavras de Olga Pombo. É triste e humanamente sinistro que se continue a usar os alunos como forma de justificar essas «estratégias meio loucas», que vão ao encontro de uma nova e bizarra pedagogia, exclusivamente interessada em substituir os gestos nobres de «ensinar» e «aprender» (que aliás deixaram de se enquadrar nos objectivos educativos) por «competências» e «saberes».
Como poderão estes alunos sentir um dia gratidão face à Escola, se no seu espaço não houve lugar para o estimulante, mas também esforçado trabalho de decifrar mistérios e desbravar caminhos, que conduzem ao saber, à cultura e ao encontro com nós próprios e, consequentemente, com os outros?
Maria do Carmo Vieira
Licenciatura em Filologia Românica e Mestre em Literatura de Viagens pela Faculdade de Letras de Lisboa. Professora de Português e Francês do Ensino Secundário
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